A inspiração para cada palavra nasce na veia mais recôndita do lado negro do coração, a beleza de cada sentido figurado de uma frase provém da lágrima mais húmida da alma quebrada em dois.
Nas minhas palavras procuro conhecer-me, ou compreender-me, assim sendo tudo o que escrevo escrevo com a certeza de que se apagará do papel no momento da minha morte, para que não reste provas das minhas lágrimas ou de personagens que finjo ao tornar as palavras em memorias existentes na minha mente, personagens que a única diferença que têm de mim é única e exclusivamente a força e o emprego das palavras, o seu sentido não muda, só a forma de o expressar, na minha mente as palavras são pedras, que ditas com força podem magoar, na boca de alguns veneno, no coração de outros trespassa como laminas de dois gumes.
A inspiração para cada acto provém da necessidade que o coração têm de se mostrar vivo, mas a força com que se expressa provém do estado de quem se expressa, por isso magoamos diariamente tanta gente, pois as vezes não somos fortes o suficiente para calar a inspiração do nosso próprio coração, e quando o tentamos calar ele magoa-se a si mesmo.
A inspiração para cada olhar, para cada pensamento..nasce na raiz dos nossos sonhos, a inspiração para tudo na vida nasce no dia em que respiramos pela primeira vez, mas morre no dia em que quebram as forças com que a protegemos.
Para tudo é preciso inspiração, até para sermos quem nunca fomos, para escrever o que mais ninguém escreveu.
As palavras servem de intermediário entre mim e a minha inspiração, ela devora-me a cada palavra que procuro nela.
Assim palavra a palavra, minuto a minuto, ela vai consumindo o que de mais precioso eu tenho, a beleza de ver as coisas e o dom de as sentir tal como elas são, sentir-lhes o cheiro e o sabor a entrar pelos cantos mais tenebrosos da minha mente, assim eu sei que um dia vou encontra-la, algures nesses ténebres lugares.
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